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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Corneille - Parce Qu'on Vient De Loin[2002]

Achei!! Finalmente um disco que me agradou e me deu vontade de ouví-lo todo. Eu já o havia baixado a tempos, mas sabe como, você escuta um, escuta outro e acaba deixando alguma coisa especial pra depois. Pela primeira vez no blog: Corneille.
Seu nome verdadeiro é Cornelius Nyungura (nascido em 24 de marco de 1977, mas como cantor atua sob o nome de Corneille. Ele nasceu na Alemanha de pais ruandeses, embora ele atualmente mantenha um passaporte canadense, canta em francês e Inglês. Seu trabalho é fortemente influenciado pelo funk e a soul music americana, inspirando-se nos trabalhos de grandes nomes, como Prince, Marvin Gaye e Stevie Wonder.
O Corneille começou no mundo da música em 1993, quando passou a fazer parte de um grupo de R'n'b, o O.N.E, vencedor do concurso La Decouverte. Aos 20 anos, ele deixa a Alemanha e muda-se para viver em Montréal, na região do Québec, Canadá, visionando o curso de comunicação na universidade de Concordia.
Outros projetos tiveram seguimento, incluindo músicas lançadas em compilações de r''n'b e soul music, até que finalmente produz seu primeiro álbum, este que vos apresento, porém teve pouca repercussão, e
sta versão contem apenas 14 faixas. Foi lançada no Québec en fins de 2002, porém existe uma segunda versão desse disco, cheia de bonus tracks, esta finalmente emplacou, só que em território francês no ano seguinte, 2003 e deu ao Corneille a projeção que este merecia. Ele na época fora convidado por Dave Stewart, para atuar em seu primeiro showcase no reservatório de Paris, e teve a oportunidade de cantar com Jimmy Cliff. Em janeiro de 2003, ele foi convidado para realizar a primeira parte do Cunnie Williams no Olympia. Seu primeiro concerto público na Opus Club aconteceu logo em seguida. Outras várias apresentações passaram a fazer parte de sua rotina, merecidamente, o cara manda muito bem.
Outros álbuns vieram, além das duas versões de Parce qu'on vient de loin(2002 e 2003), temos um disco ao vivo, chamado
Live, lançado em janeiro de 2005, no fim do mesmo ano foi lançado Les Marchands de rêves, em seguida ele lança seu primeiro álbum anglófono, intitulado The Birth of Corneillius de 2007 e por último Sans Titre de 2009. Corneille foi premiado pelo NRJ Music Awards (le VIe) pelo clipe no ano com a música Parce qu'on vient de loin (2005). Falando do Parce qu'on vient de loin, sinceramente eu gostei muito, r'n'b de qualidade, musicalidade agradável na maioria das faixas, indo do animado ao melancólico, aspecto que predomina no CD, um disco bem arranjado, cheio de boas e emocionantes composições, sendo co-produzido pelo jovem artista, realmente vale a pena ouví-lo e sentí-lo.
As letras são o ponto forte dessa produção, apesar do R'n'b de monsieur Corneille não deixar a desejar. Eu destaco
Seul au Monde, que inicia o disco, autobiográfica, essa faixa fala de um sentimento pessoal "Eu estou sozinho no mundo / Nada posso fazer, posso apenas me calar ...", salvo do horror da guerra étnica de seus país Ruanda, parte de seus textos revelam as experiências terríveis que vivenciou. Avec classe é um dos sucessos de seu disco que apresentou o álbum ao público francófono com uma musicalidade apaixonante, Parce qu'on vient de loin é outra música que marca, uma verdadeira lição de vida, não sabemos como será o amanhã, "Vivemos cada dia como se fosse o último, E você faria o mesmo se soubesse quantas vezes o fim do mundo passou perto de nós, pois viemos de longe", muito linda.
Continuamos com Tout va bien, música que fala dos horrores da guerra, da dificuldades que cercam os aflitos e desamparados, ms uma mensagem de otimismo nos vem: "Eu estou aqui, Para lhe contar, Eu estou aqui, Para testemunhar isso a você e lhe dizer em nome de todos os meus o quanto que vivemos e enquanto amamos tudo vai bem, Eu lhe digo, sim tudo vai bem". Para dar uma alegrada temos Ensemble, uma declaração de amor, outro tema abordado por Corneille. Se bem que essa faixa poderia servir pra ambientar uma amizade, o amor fraternal, sentimento que deveria ser mais fácil de termos uns pelos outros: "Eu e você, a gente pode fazer junto, Eu e você, é louco o quanto nos parecemos". Preciso falar ai de
Toi , fala das dificuldades e das criticas com as quais se deparam os casais mistos( de etnias diferentes), o tema do racismo não poderia faltar e foi abordado competentemente, apesar do ritmo um pouco dançante. Por último temos Va (on se reverra), essa canção fala de um amor que o Corneille teve por uma jovem que foi assassinada no genocídio de Ruanda, forte e triste.
E o que dizer depois de tudo isso: Parce qu'on vient de loin é certamente
um álbum de estréia mais bem que sucedido, que traz a emoção, o poder da voz e interpretação, vendendo quase um milhão de cópias, coloca Corneille como uma das revelações da cena musical francesa atual. Querem saber mais do Corneille vão em sua página no Wikipedia: http://fr.wikipedia.org/wiki/Corneille_%28chanteur%29


Baixem o disco do Corneille aqui
Ah pessoal, detalhes que eu gosto de passar, esse CD tem 3 capas, a amarela é francesa, a azul quebequense, essa está no arquivo e uma terceira em versão internacional, até onde pude verificar, com o Corneille sentado em algum lugar e sorrindo. :-) Ah desculpem mais uma vez fiz uma postagem enorme ¬¬

Assistam a Parce qu'on vient de loin, muito bonita mesmo!!! Ao vivo no canal 2 e com legendas em português.


sábado, 22 de novembro de 2008

Varios Artistas - Putumayo presents Québec [2008]

No mínimo interessante eu diria, descobri a série Putumayo graças a uma professora amiga minha (Josi je te lovo, d'accord?) bem recentemente, em minhas andanças pela net descobri alguns discos da coleção que são dedicados ao mundo francófono, resolvi escutá-lo, fiquei curioso, como professor de francês julguei mais que necessário conhecer o francês do Québec e pasmem surpreendi-me com a sonoridade do francês daquela região e com as muitas possibilidades do idioma, Tiguidou!? (significa "c'est d'accord" em francês standard, bestei!! :-O)
Alors... on y va! Bom é preciso falar um pouco do Québec ao apresentar este disco, visto que é pouco conhecido. Esta bela região canadense (em francês: Québec) é uma das dez províncias do Canadá. É a maior província do país, e a segunda mais habitada. Cerca de 24% da população do Canadá vive dentro dos limites da província. A maior cidade de Quebec é Montreal, que é também a segunda maior do país. Sua capital é a Cidade de Quebec. Cerca de 80% de sua população é descendente de franceses, em contraste com as outras províncias do país, cujos habitantes são em sua maioria descendentes de ingleses ou escoceses. A forte influência francesa, presente desde os primórdios da colonização do Canadá, torna a província sensivelmente diferente do resto do país. O francês é o único idioma oficial da província.
A colonização européia começou no século XV, quando os britanicos, e principalmente, os franceses estabeleceram-se pelo Canadá. Os britânicos não tiveram uma forte presença no antigo Canadá, instalando-se originalmente na Terra de Rupert, uma gigantesca área que posteriormente daria origem aos Territórios do Noroeste, Manitoba, Saskatchewan e Alberta, sendo que a região dos Grandes Lagos e do Rio São Lourenço, bem como a região que atualmente compõe as atuais províncias de Nova Escócia e Nova Brunswick, estivessem todas nas mãos dos franceses. A Nova França (Nouvelle-France) e a Acádia continuavam a se expandir. Essa expansão não foi bem aceita pelos iroqueses e, principalmente, pelos britânicos e os colonos das Treze Colônias, desencadeando uma série de batalhas que culminou, em 1763, com o Tratado de Paris, no qual os franceses cederam seus territórios da Nova França e da Acádia aos britânicos. Estes, que já então dominavam as imensas Terras de Rupert, que na época incluía também as atuais províncias canadenses de Alberta, Saskatchewan, Manitoba, bem como os territórios de Nunavut, Territórios do Noroeste e Yukon, passaram o Quebec Act, que permitiu aos franceses estabelecidos no antigo Canadá que continuassem a manter seu código civil e sancionou a liberdade de religião e de idioma, permitindo que a Igreja Católica e a língua francesa continuassem a sobreviver no Canadá até os dias atuais.
O francês quebequense é considerado um idioma, um vertente do francês, nada de dialeto ou crioulo, ele é distinto do francês padrão, mas ainda sim é francês, contando com particularidades causadas pelo afastamento entre colônia e colonizador, o francês de lá estacionou partindo daí sua progressão, digamos assim, enquanto o da frança tomou novos rumos, a pronúncia do Québec é um pouco seca digamos assim, sons abertos em muitas palavras, uma sonoridade que lembra nosso português com sotaque nordestino, escutando bem, parece viu, bom, eu tive essa impressão, me perdoem a observação, mas gostei!

Esta compilação lançada em em junho desse ano, em homenagem aos 400 anos da cidade de Québec, mostra canções típicas de lá, cheias de sua pronúncia bem particular e espírito patriota como pouco se vê, na verdade quando falamos de Quebec sentimo-lo, nós francófonos, como um lugar de inspiração, uma gente que lutou e luta para manter suas raízes culturais e línguísticas, que digam meu pobres ouvidos aos se espantarem com as muitas caras que o francês pode ter.
Aqui encontramos grandes nomes da música contemporânea do Québec, nada de jovens vozes cantando alguma coisa tipo Star academy ou rap, power-pop ou seja lá o que, é musica quebequense mesmo, com violino, violão, acordeon e tudo mais, indo do folclórico ao acústico, apresentando nomes como Mathieu Mathieu, com sua triste Cette ville, Martin Leon juntando acústico à guitarra bem harmoniosamente, Annie Villeneuve e sua voz suave em Un homme, nos mostrando uma batida bem animada e bem Québec, ah não posso esquecer do Florent Vollant, com sua pronúncia pra lá de divertida e única num folk animadinho embalado por uma gaita de boca e solo de guitarras bem colocado, ainda temos a Myreille Be em Il fait dimanche com uma cara toda brasileira, mais lembrando Mpb ou bossa, mas com uma voz madura e envolvente, La botin, ouhha pra lá de folclórico, parece aquelas polkas americanas, bom sem contar com Le vent du nord com Vive l'amour, que termina a nossa tracklist com arranjos e musicalidade similar a anterior, mas bem animadas, já consigo ver o salão cheio rs, ufa! É isso, Nota: 8 divirtam-se!Envoye-donc! (lorsqu'on veut convaincre quelqu'un de faire quelque chose en français québécois, ciel mon!! rs) quer conhecer mais o Québec, visite: http://pt.wikipedia.org/wiki/Quebec


Link para o disco aqui

O link é meu mesmo, profitez-le!!

Vídeo do Mathieu Mathieu "Cette ville"